Oi gente!
Não sei se vcs conhecem o trabalho e Helena Kolody, eu sinceramente não conhecia, mas me encantei com suas poesias. Esse é o ano do seu centenário,por isso ela será homenageada, com uma edição comemorativa de um livro que vem com CD. 



Helena Kolody –  A sensível percepção de mundo por Andressa Villar


Muito briguei eu comigo,
tive raiva,
me insultei.
E, de incontido desgosto,
em meu próprio ombro chorei.
(Eu Comigo – Helena Kolody)


Helena Kolody é uma das figuras mais importantes das letras paranaenses, embora ainda não haja gravado o seu nome no quadro mais amplo do reconhecimento nacional. Poetisa de atitudes discretas, alheia às autopromoções. 


Contudo, pelo tom da voz, pela delicadeza dos sentimentos, pela autenticidade lírica e pela temática, ela é, com certeza, a poetisa representativa de seu estado. E isso não apenas pela maturidade regional, mas também por haver acrescentado a voz do imigrante à temática da poesia brasileira.


Os pais de Helena Kolody eram ucranianos. Conheceram-se e se casaram no Brasil. A primeira filha do casal, Helena, nasceu no dia 12 de outubro de 1912. Fez o curso primário em Rio Negro – PR e, em seguida, mudou-se para Curitiba, onde ficou por dois anos. Voltou a residir em Mafra/Rio Negro, onde estudou piano, pintura e escreveu seus primeiros versos aos 12 anos.


Seu primeiro poema publicado intitulava-se "A Lágrima". Ela estava, então, com 16 anos. Nesse início de carreira, a maior divulgadora da obra de Helena Kolody foi a revista "Marinha", de Paranaguá. Com 20 anos de idade, Helena iniciou a carreira de professora. 


Trabalhou em diversos colégios. Só no atual Instituto de Educação, de Curitiba, lecionou por 23 anos. Exerceu apaixonadamente a profissão do magistério, a qual foi muito importante para sua formação e para a qual a Escola Nova (movimento eclético e de origens muito complexas) de certa forma colaborou para seu pioneirismo e arrojo e contribuiu na renovação dos conceitos e das normas educacionais.


"Paisagem Interior", seu primeiro livro, foi dedicado ao pai, Miguel Kolody. Porém, ele não pôde vê-lo, pois faleceu dois meses antes de a obra ser publicada, no ano de 1941. Na seqüência, são publicados: "Música Submersa", "A Sombra do Rio", "Vida Breve", "Era Espacial" e "Trilha Sonora", "Tempo", "Correnteza", "Infinito Presente", "Sempre Palavra", "Poesia Mínima", "Viagem no Espelho", "Ontem Agora", "Reika".


Para ela, o amor ficou sendo só um sentimento, um sonho, e Helena Kolody soube muito bem transformar esses sentimentos em palavras melodiosas, o que levou alguns poemas seus a serem musicados. São versos carregados de um lirismo puro, que embalam reminiscências de amores de outrora (até mesmo a própria palavra tornou-se antiga) quando não era vergonhosa a expressão verdadeira dos sentimentos, como vemos no poema Cântico de 1941: A luz do teu olhar é a estrela solitária / Da noite deste amor, que é feito de silêncio.


Helena Kolody não participou do Movimento Modernista por ser retraída, mas buscava sempre manter-se informada e tinha consciência da modernidade de seus versos. Nessa época, o Movimento Modernista buscava uma superação dos pressupostos que ancoraram a Semana de Arte Moderna. Alguns poetas já tinham trilhado um caminho diferente dos versos parnasianos, restando, pois, amadurecer as idéias já plantadas.


Em seu livro Música Submersa (1945), figura o haikai "Pereira em flor", o qual foi elogiado por Carlos Drummond de Andrade, que diz ter ficado feliz com poemas como esse, "em que à expressão mais simples e discreta se alia uma fina intuição dos ‘imponderável’ poéticos". Eis o poema: De grinalda branca, / Toda vestida de luar, / A pereira sonha.


O haicai é uma forma de poesia japonesa, pequeno poema de três versos, com cinco, sete, e cinco sílabas poéticas sucessivamente. Com sua escrita icônica, os haikais japoneses têm sua origem no canto, faziam parte de diários de viagem, numa interação prosa/poesia e eram desenhados em um quadro, fazendo parte de um todo plástico.


A concentração verbal dos haicais consegue o máximo efeito estético numa linguagem sintética. Mas foi em 1941que Helena havia publicado seus primeiros haicais, sendo criticada com os argumentos de que aquilo não era soneto, não tinha rima, não era poesia. Mas gostava de desafios, por isso fazia haicais, mesmo criticada.


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Frann Maia-Arte Educadora

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